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Encontros históricos 13.11.2018

Pode a historiografia ser perversa? Sobre passados traumáticos, vítima e arquivo

Evento

: Prédio de Humanidades I/Faculdade de História

: Nacional

: 13 a 13 Novembro 2018

A pergunta que dá forma ao título desta apresentação sugere, à primeira vista, quase uma impertinência, afinal, quem pode imaginar que o resultado de nosso esforço intelectual, uma historiografia, possa ser uma perversidade?
Uma vasta bibliografia, oriunda de distintos campos das Humanidades, tem buscado definir um estatuto epistemológico para os testemunhos de situações-limite. As vozes das vítimas configuram, na perspectiva da historiografia disciplinada, um poderoso corpus documental destinado a refutar a vontade genocidiária. Esta “lei do arquivo” impõe à vítima o incessante fornecimento da prova, o antídoto contra a perda da factualidade do fato que define justamente a força e potência do perpetrador. A impossibilidade deste arquivo vitimário instaura a “perversão historiográfica”, na expressão do teórico franco-armênio Marc Nichan ian. 
A apresentação, resultado preliminar de uma pesquisa mais vasta sobre os usos da noção de vítima pela historiografia mais recente a respeito das diversas experiências traumáticas do século XX, argumentará em favor de uma reflexão que aponte elementos para um enfrentamento teórico desta “perversão historiográfica”. Em um primeiro momento, será realizada uma crítica à noção de “vítima”, tal como operada nesta “lei do arquivo”. Em seguida, defender-se-á a ideia de que libertar o testemunho do fardo da refutação da vontade genocidiária significa mobilizar formas de leituras que sinalizem com novas perguntas . Trata-se de retirá-lo da condição documental e pensa-lo como um monumento, inscrito a um signo e não mais a um fato. O conceito de “poética do resto” fornece, neste ponto, uma referência importante para o estabelecimento de um diálogo mais crítico com a historiografia profissional sobre estes “passados que não passam”.
Prof. Alexandre Avelar (UFU), dia 13 de novembro de 2018
Encontros históricos 13.11.2018
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