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UFG - Universidade Federal de Goiás
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Cristiano Pereira Alencar Arrais

Atualizado em 05/06/17 17:56.

Cidades capitais e modernidade urbana: trânsito de modelos culturais na construção de Goiânia

O presente projeto pretende contribuir com o debate sobre as formas de articulação e mobilização da experiência do tempo nas sociedades contemporâneas. O lócus concreto para onde convergem suas atenções situa-se em um momento específico da história da urbanização brasileira: a construção da cidade de Goiânia e seu desenvolvimento urbano, entre as décadas de 1930 e 1960. Esse duplo direcionamento justifica-se plenamente em virtude da possibilidade de, através da exploração de determinados eventos, identificar certas tensões entre o horizonte de expectativa de uma sociedade e o seu campo de experiência. A construção de Goiânia surge, neste contexto, como evento privilegiado em função da recorrência da temática da ruptura entre um tempo, considerado como “velho”, e outro, entendido como “novo”, que pode ser encontrada na historiografia sobre esse acontecimento. Esta temática pode ser encontrada também em boa parte da documentação do período que sustenta uma perspectiva dicotômica entre concepções urbanísticas antigas e modernas que, por sua vez, seriam capazes de moldar as próprias formas de sociabilidade naquele novo espaço. Ao mesmo tempo, este projeto dirige suas preocupações para o entendimento daquele fenômeno em sua historicidade. Ou seja, procura pensar o processo de construção da capital goiana a partir de suas articulações com outras experiências urbanísticas similares, ocorridas no hinterland brasileiro desde o final do século XIX, quais sejam, a construção de Belo Horizonte para ser a nova capital do estado de Minas Gerais e a construção de Brasília para servir de nova sede administrativa para o País. Assim, ao analisar o processo de construção de Goiânia, pretende-se dar prioridade aos procedimentos de classificação daquele espaço urbano, para a forma como, ao longo do tempo, foram construídas determinadas representações sobre a cidade, tomando como referência a relação entre seus planejadores e as experiências urbanas brasileiras anteriores (em especial, Belo Horizonte) e o horizonte de expectativa formado a partir da implementação da proposta de transferência da capital federal, em meados da década de 1950. Ao optar por uma análise comparativa que privilegie os elementos sincrônicos e diacrônicos daqueles processos, o recorte temporal procura tomar como centro de análise a capital goiana, pensando a mesma como elo fundamental para se pensar as transferências de modelos e apropriações culturais e políticas que norteiam o pensamento urbanístico brasileiro ao longo do século XX.

 

História, memória e historiografia no século XIX

A historiografia goiana, enquanto representação do passado, herdou uma percepção decadentista oriunda da crise da mineração que acabou por elidir a noção de experiência dos sujeitos envolvidos no enfrentamento do seu próprio tempo. Tal percepção era própria da historiografia brasileira oitocentista que procurava retirar a inteligibilidade reinante na sociedade colonial, redefinindo o sentido da relação entre os súditos e a coroa portuguesa. A partir daquele momento, o passado foi percebido por um viés negativo, realçando, apenas, a ação predatória da metrópole na exploração do território goiano. Esse mesmo expediente delineou a inteligibilidade da região. Diante dessa percepção, no âmbito da memória e da história regional, o projeto de pesquisa ora apresentado objetiva: a) Examinar as representações escriturárias (de historiadores e memorialistas) produzidas após a proclamação da república. b) Localizar, identificar e analisar os vestígios deixados pela sociedade setecentista em Goiás. Pretende-se, neste caso, avançar sobre o exame de vestígios que são praticamente desconhecidos pela historiografia goiana e na reclassificação da experiência colonial goiana. c) Relacionar a ordenação das representações regionais com a formação de uma tradição de escrita da história nacional oitocentista. d) Analisar a negociação entre memória e história na elaboração de uma escrita histórica republicana especialmente no âmbito regional.

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