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Memória e Temporalidades (2014/2)

Atualizado em 02/02/17 17:01.

Em um primeiro momento, trata-se de estudar o modo como diferentes concepções de temporalidade se articulam à história do conceito de história. O surgimento do conceito de história como singular coletivo pressupôs, no final do século XVIII, a unificação do tempo histórico. Pretende-se estudar como, no interior dessa hipótese de R. Koselleck articula-se a relação entre unidade e pluralidade temporal. No contexto do entre-guerras, a emergência da Escola dos Annales representou uma crítica às duas grandes concepções de temporalidade herdadas do século XIX. Conforme mostra J. Rancière, trata-se aí mais profundamente da constituição de uma nova compreensão do tempo histórico. Procuraremos compreender se, no interior dessa nova formulação, do lado da história das ciências, não se buscou, no mesmo momento, pensar em uma história constituída por trajetórias temporais singulares. Daí a importância de acompanhar a crítica de G. Bachelard à noção bergsoniana de duração e seu conceito de instante; daí também o interesse em compreender a noção nietzschiana de tempo circular no final do século XIX e a de simultaneidade temporal na literatura no início do século XX. Nos últimos anos, segundo F. Hartog, o presentismo teria se transformado na nova forma do tempo histórico. No núcleo dessa nova forma, a memória teria se tornado uma figura de incontornável importância epistêmica. Gostaríamos de compreender de que se trata essa memória e como ela se articula com uma compreensão da temporalidade histórica. Em segundo momento, trataremos da relação entre memória, história e temporalidade. A reflexão de Pierre Nora e seus lugares da memória institui uma relação diversa entre memória e história ao indicar a ultrapassagem da memória como expressão do vivido e a sacralização dos seus lugares. No entanto, a memória resiste ao ordenar certa espacialização, conforme indicação de Jonhn Assman e de Aleida Assman. A retomada da memória como evidência redefine o debate sobre o passado. Paul Ricoeur refaz o complexo percurso – marcado por aproximações e distanciamentos, entre memória e história. A leitura de parte do livro de Ricoeur, “Memória, história e esquecimento”, encerra essa etapa do curso.

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